Segunda-Feira, 22.04.2019

Blog André Luis Alvez

Segunda-Feira 28.12.2015 às 10:18

PENA SECA

JANET ZIMERMANN

Bem eu que tento

Não adornar meus versos

Com esses serezinhos mais lindos do mundo,

Mas, na maioria das vezes,

Acabo lançando mão dos seus olhos miúdo

Que se me atravessam, pidões...

Bem que tento esquecer esse tema,

Mas o que devo fazer, ignorar meu coração,

Se nele bem-querer-te-vi  já se fez ninho?

Fingir que não te vi?

Ignorar que não ouço o seu cantar bem-alí,

Quebrando o silêncio do meu poema

Pobrezinho de carinho?

Sem asas, direi o que der à pena...

Versos sem cor e sem canto,

Com certeza descambarão em vento negro...

Acaso conseguirei descrever o amor mais terno

Com os corvos do poeta maldito me azucrinando?

Pelo jeito vai dar não, Sebastião,

Que hoje estou mais pra sabiá...

Com licença, vou ali e volto já,

Vou ver um passarinho

Que me chama pra versá...

Sábado 01.11.2014 às 11:04

A ARTE DE PERDER

LUCILENE MACHADO


A arte de perder

Queria lhe dizer que li o poema da Elizabeth Bishop “A arte de perder” e que perder não é nenhum mistério. As coisas mais significativas contêm em si esse risco determinante. Perde-se pessoas, perde-se objetos, perde-se lugares, perde-se a chave para muitas coisas, mas isso não muda nada, a vida segue impassível.

 Confesso que foi impossível não refletir sobre as minhas perdas. As grandes, as pequenas, as que se perdem gradativamente, as que me são tiradas a solavancos e, muitas vezes me derrubam; as perdas que estão tatuadas em minha pele e todo mundo vê, as que estão ocultas e doem paulatinamente e as que estão escritas na parede da memória e amanhecem comigo, diariamente, do mesmo modo como foram concebidas.

 Bishop diz que perdeu duas cidades lindas e um império que era seu. Perdeu dois rios e mais um continente, mas não é nada sério. Não é mesmo! No entanto, sofri com suas perdas, porque são parecidas com as minhas, com as que compõem a memória da minha vida partida. Não perdi um rio, mas perdi, por exemplo, minha alma, como um remo que é derrubado em águas profundas. Perdi o rumo de um destino que era feliz. Perdi o sonho. Perdi a vontade. Perdi amizades. Perdi o amor – várias vezes. Perdi tudo – algumas vezes. Mas, que importa perder tudo se tudo é nada? Perdi raios de sol, perdi nuvens que se foram com o vento, perdi brisas, luas, estações inteiras! Perdi o rosto que era meu, perdi o olhar, perdi a lucidez, o silêncio, a timidez e fiquei entupida de nada.

Perdi a geração a qual pertenço e fiquei perdida no tempo e espaço alheios. Perdi a fé, a religião, a confissão de uma vida que não serve, perdi a certeza, a esperança... perdi o verbo, o adjetivo, frases literárias absolutamente humanas; perdi a percepção para diferenciar o que realmente quero e o que estou tentando querer. Fui ficando tão esvaziada que quando você chegou, eu não soube o que fazer com a sua presença. Tampouco fugi porque não suportaria a vergonha de me acovardar. Assisti incógnita à partida da minha resistência. Você estava ali, tão completamente ali, que eu soube, imediatamente, que no momento seguinte você iria me tocar. Foi tão imediato, tão agora, tão já, não havia tempo para estratégias. Intuitivamente, tínhamos consciência que deveríamos fazer um movimento perfeito, tanto na chegada quanto na despedida, para não provocar nenhuma dor, nenhuma ferida, nenhum gosto amargo na boca. Fizemos tudo, acertadamente, como se conhecêssemos os manuais de aproximação e afastamento. Talvez eu tenha demonstrado um pouco de ansiedade, demonstrado, ainda que indiretamente, minha falta de jeito, de prática e que o prazer da aventura me era levemente desconfortante. Demonstramos grandes habilidades na arte de perder e, inclusive, sabemos que essa saudade inexplicável, qualquer dia desses, vamos perder.

 Apesar da demonstração de nossa competência, nem sempre é fácil manejar essa arte. Ela passa pelos consultórios psicanalíticos ou, pela literatura. Há também outras opções menos indicadas como o álcool, as drogas compradas em farmácias ou mesmo os tóxicos encontrados nos becos urbanos. Eu fico com a literatura e tento transformar em arte essa coisa nenhuma que me empurra para o sol, para o mar, para uma nova estrada, um novo texto e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento, me surpreendo pensando algo como: perder é só um verbo, intransitivo.


Lucilene Machado

Terça-Feira 25.03.2014 às 06:54

A verdade é que a vida é uma mentira!

LARI PAINES PESTANA


A verdade é que a vida é uma mentira!

Quando novos, aprendemos que amigos e família ficarão sempre ao nosso lado. Que namorados vêm e vão, que não podemos realmente contar com eles esperando que poderão sempre ajudar. Que animais de estimação são a melhor companhia e que amizade entre meninos e meninas simplesmente não existe.

Crescemos acreditando que antes dos 17 anos já devemos saber o que gostaríamos de fazer pelo resto da vida (aos 17 você já está ‘velho’ para ter dúvidas quanto a isso!). E que, aos 15, você deve já ter perdido o ‘BV’ para ser aceito(a) pela sociedade, bem como dar uma enorme festa de aniversário para todos que conhece.

Apenas quando jovens (ou mesmo adultos) aprendemos - por nós mesmos - que não é bem assim. Seus amigos podem se mostrar péssimas influências ou mesmo inimigos camuflados. E muitas vezes descobre-se isso tarde demais. A família, sendo ou não seu próprio sangue, pode recusar a participação no dia mais feliz da sua vida por pura birra. Seus namorados (ou seu namorado, no caso de ter tido apenas um) podem se mostrar as melhores companhias nas piores horas, enquanto o resto do mundo te deu as costas (sou do time que acredita que nenhum namoro é ruim, eles duram o tempo necessário para serem bons).

Animais de estimação são realmente os melhores antidepressivos que existem, mas infelizmente têm um prazo de validade de dez a quinze anos em média. Aliás, sabe quem me deu o ombro quando perdi minhas melhores amigas de quatro patas? Meus melhores amigos. Dois são meninos e estão comigo até hoje como tal, melhores amigos e nada mais.

Tive sorte aos 17, porque acredito ter escolhido minha profissão para a vida toda no terceiro ano do Ensino Médio. Mas nem todos têm essa sorte e acabam, na maioria das vezes, frustrados ao seguir os sonhos dos pais. Querem ‘ouvir’ um segredo? Há pessoas de 90 anos entrando - ou saindo - de faculdades neste exato momento. Não desencorajo ninguém a estudar, mas não há mal nenhum em estudar em cursinhos ou até mesmo por conta própria algum tempo antes de se decidir e ir para a faculdade que você realmente vai amar. 90% de chance de você ser feliz na futura profissão…

Aos 15, perdi meu ‘BV’. Me julgaram muito por isso, acharam que eu demorei (até mesmo meu pai disse isso). Mas quer saber? Não me arrependo. Acho que foi no momento certo, o garoto era gente boa e fiquei com ele por um bom tempo, o que acho melhor que beijar alguém em uma noite sem afeto, sem nem saber o nome da pessoa. Somado a isso, minha festa de aniversário foi na garagem da minha casa. O que ninguém diz é que a maioria de seus convidados não dão a mínima para você se sua festa comporta metade da sua cidade. A maioria provavelmente está ali para ver a decoração e experimentar a comida. Não tive valsa, não houve grandes discursos e muito menos um vestido-bolo. E eu amei. Porque sabia que quem estava aqui veio por mim.

O que eu quero dizer é que nem tudo realmente precisa ser como aprendemos desde crianças. A verdade é que a vida é uma mentira desde o momento em que nascemos. Esqueça a pressão social, seja você mesmo. A felicidade não é nada além de um estado de espírito, então faça o que te faz feliz!

Ah, se minhas professoras de redação lessem este texto… me matariam! Quantos jargões! Mas não deixam de ser verdade… e quer mais uma dessas verdades?! A vida é uma merda. É sério, é mesmo. E como disse uma amiga minha, se você não for forte o bastante não aguentará nem o primeiro baque. Só que somos seres pensantes perfeitamente capazes de fazê-la pelo menos aceitável.

O maior segredo (o que eu sigo): largar mão dessas pressões desnecessárias e simplesmente viver.

Por quê?

Porque, além de ser uma mentira…

A vida é curta!

Lari Pestana - 18/03/14

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