Sexta-Feira, 17.01.2020

Blog André Luis Alvez

Segunda-Feira 23.12.2019 às 08:53

As duas calçadas

André Alvez

Quando olhei em torno de mim, o ruído de antes estava lá, despencando das paredes rachadas, carcomidas pelo tempo, assombrado pelo silêncio reinante, como se cumprisse um pacto para não despertar os fantasmas do hotel Gaspar.

Senti então o inesperado peso no corpo, a magia de um sortilégio, como se estivesse carregando minha casa nos ombros, feito um caramujo, passeando devagar pela calçada deserta, repleta de luzes e espinhos do tempo, pesada feito uma rocha apaixonante. 

Ah o vento, esse amigo inseparável que nunca dorme, assoprando na minha testa imagens do ontem, trazendo o tamborilar das gotas geladas que molhavam minha roupa, provocando a vontade de correr da chuva e me abrigar numa daquelas portas.

Já não existe a chuva e todas as portas estão fechadas.

A chave gira na fechadura do tempo – outro velho conhecido – ouço vozes, sinto passos enquanto  um som de berrante distante escapa de um facho de luz , desenhando o contraste das calçadas: de um lado os comerciantes turcos, do outro lado bares e prostíbulos,  a boca do lixo , frente a frente, se cumprimentado num tom de respeito, como se fossem parte de uma única célula da cidade que crescia.

O relógio gigante da loja da esquina rugia um tic tac incessante, mas agora parou de girar.

Uma vertigem, a brutal realidade atual, um ar de completo abandono percorrendo as paredes em volta de mim e o pensamento me cala de vez: se não fosse a guerra, não existiriam as calçadas e as minhas letras (talvez) contariam outros sonhos.

 Um carro avança apressado, saindo feito um raio do viaduto da Rua Antonio Maria Coelho. O motorista não sabe, antes, ali só existia o monte de grama grudado nos trilhos e meus olhos de menino estavam perto quando a prefeitura resolveu fazer um corredor na lateral do viaduto – uma luz viva na memória guarda o momento da inauguração – três homens usando terno e gravata fizeram comício, um deles exaltou o grande feito da engenharia, citou Pitágoras, falou do  arco do triunfo e explodiram os aplausos.

O prefeito surgiu logo depois, vindo pela calçada do lado dos turcos, usava bombacha, camisa de algodão, chapéu de abas largas, botas pretas do brilho intenso, em contraste com o sol queimando o seu rosto rosado e banhado de suor. Era um homem de poucas falas, ouviu num sorriso os discursos e disse no fim: “então está feito, vamos embora!” E voltou pelo outro lado da calçada, abarrotada de gente; os bêbados pararam o jogo de sinuca, as prostitutas abriram os braços deixando os seios quase escapando pelos vestidos coloridos, gritaram o nome do prefeito e ele respondeu com sorrisos e acenos de chapéu. O repórter calvo correu atrás, falando ao microfone numa pressa de quem tem fome e foram desaparecendo diante dos meus olhos, até se perderem detrás do prédio da loja consumida pelo incêndio tempos antes.

Olhos no céu de hoje. A porta do primeiro bar ainda é a mesma na qual vi de perto meu primeiro morto, caído três passos adiante, fedia cachaça e da barriga escapava um fio de sangue, os olhos abertos, o bigode áspero espumando a angústia do fim. O repórter calvo estava lá, “direto da boca do lixo, um morto caído na calçada, esfaqueado numa briga de bar”, disse num tom de voz arrepiante.

Se não fosse a guerra, não existiriam as calçadas, as rádios, a cidade.

Eu não ligava para a chuva, gostava de andar com a camisa encharcada. Quando o patrão precisava de troco, entrava na boca do lixo como quem entrava nas lojas, as prostitutas sempre tinham dinheiro miúdo, os bêbados também.

As pétalas das flores ainda não tinham se aberto para mim e enxergava as prostitutas como se fossem as donas dos bares, o sorriso sempre estampado no rosto abarrotado de ruge e batom.

Elas vieram com a guerra...

A música que eu gostava falava de bêbados trajando luto, mas os meus bêbados vestiam camisa em listrado, usavam botas, chapéus de couro ou de palha e bebiam pinga como um perdido no deserto. Ainda agora ouço o repicar das bolas se chocando na mesa de sinuca. Outra música falava de uma nuvem passageira e agora eu sei o tanto que ela é ligeira.

Paro na esquina das ruas que antes ferviam e ninguém mais escuta o som do berrante, quase ninguém sabe da guerra, não existem mais as vozes das calçadas, nem mesmo os risos, o cheiro de pinga de um lado, do couro de sapato no outro. Restam as paredes caindo e o amedrontoso silêncio. Acaricio as paredes dos quartos da casa que carrego nas costas, ela permanecerá ali, desabando enquanto as gotas da chuva – lágrimas turvas e quentes – despencam do barranco do viaduto, em busca do rio escondido abaixo do asfalto na esquina, ao som distante de um lamentoso berrante. 

Segunda-Feira 16.12.2019 às 03:15

O sorriso da orquídea

André Alvez

GEORGE SAND.jpg

Eleanor imaginou que talvez somente ela tivesse reparado a mudança; as cores das flores do jardim estavam diferentes, o verde caído, o brilho fosco nas margaridas, a rosa vermelha transformada em cinza e o jasmim com as pétalas abertas num branco sem vida.

Carlos dizia enxergar o sorriso das flores. Num passeio, entrou na mata à procura de tesouros e de lá retornou trazendo um pedaço de tronco de árvore com um filete de rama verde escapando entre as frestas da madeira.

Eleanor sorriu surpresa, ele tratou de pôr fim ao espanto: “é uma orquídea, deste tronco logo nascerá uma das mais belas flores do universo”, disse enquanto repousava o tronco da árvore no seu colo. Naquele instante, dos olhos de Carlos escapou um brilho intenso transformado numa lágrima incontida de canto, enxugada às pressas nas mãos trêmulas de emoção.

Eles não sabiam, aquela lágrima era sinal de adeus. “Um dia, me encontre numa flor”, foram as últimas palavras de Carlos.

Para matar o luto, Eleanor coloriu o quintal da casa com flores diversas, mas nenhuma conseguia resplandecer brilho suficiente para suportar tamanha dor.

Do tronco que guardava a orquídea – cuidadosamente preso a um arame na parede da varanda – brotou uma flor magnífica, de três pétalas marrons e no centro a figura de um macaco. Olhando atentamente, a orquídea parecia lhe sorrir. Era espantosa e ao mesmo tempo cativante. As lentes dos óculos estão novamente embaçadas, pensou. Mas após esfregá-las com todo cuidado, e lançar o rosto até junto à planta, o macaco permanecia lá, mostrando o seu indefectível sorriso.

O passar dos dias, perdurando na mente a amarga angústia, transformou o rosto de Carlos na mesma feição dolorida de Rimbaud. “Me encontre numa flor”, a frase incessante assoprada pelo vento a fez recordar um livro antigo que falava sobre o sorriso das flores após a tempestade. Procurou-o até encontrar.

Antes de enlouquecer, porque começou a falar com a orquídea como se fosse Carlos, resolveu mudar a planta de lugar, num galho do pé de magnólia, pouco distante da janela do quarto de dormir.

No apagar das luzes, entre o cochilo preso nas pálpebras cansadas, restava o brilho fraco do vidro da janela, um último olhar de soslaio. E lá fora, o macaco prosseguia sorrindo, apontado para ela suas pétalas marrons, como quem pede um abraço.

De repente a luz do sol invadindo o quarto, outro dia, o sono pesado que a fez desabar pelos lençóis da cama pouco antes. O levantar trôpego, as mãos tateando o nada à procura dos óculos, a garganta seca pela estiagem, ardendo no gole do copo d’água que deixou pela metade, atiçada pelo bater de asas dos beija-flores na varanda da vizinha. Por que os beija-flores de repente só se vestem de cinza? 

Na brisa lá de fora sentiu o cheiro das plantas, o mesmo de sempre, mas as cores das flores estavam diferentes.  O céu cinza sem nuvens refletia a estiagem, um resto de mata ardente – talvez seja isso, imaginou – formando rugas acima dos olhos, a mão direita tampando o sol. As pessoas cruzaram a praça num ritmo acelerado, sem olhar para os lados. Um tanto acabrunhada, Eleanor ergueu o rosto para o alto, fumando o vento, ajeitando o aro dos óculos no nariz enquanto tentava prender a presilha nos cabelos rebeldes. Apanhou uma flor do canteiro, ainda ontem era uma reluzente petúnia azul – suspirou – a mesma cor que sempre imaginou ser do mar, mas agora estava cinza feito o céu. A antiga vontade de conhecer o mar havia deixado num canto, sem Carlos o mar não tinha razão; era imenso e azul, às vezes verde, trazia ondas enormes que desabavam na praia, mas nada sabia sobre flores sorrindo. Acelerou os passos, mordeu os lábios para não dizer nada, alguém haveria de perceber e também exclamar, afinal, flores não mudam de cor. No ponto de ônibus, as pessoas, como se combinado, trajavam roupas opacas, os bancos do ônibus também estavam diferentes, acinzentados, não existia mais o amarelo de ontem, a camisa do motorista, antes de um azul claro vistoso, agora transformada numa tristeza bege. Um olhar em volta, novo assombro, os ipês só deram flores marrons e algumas cinzas.  Que estranho ninguém perceber, pensou, fazendo um olhar franzido. Limpou os óculos com tecido de lã num leve passar dos dedos, ajeitou o corpo rapidamente e retirou da bolsa um livro da George Sand, costume antigo, ler no ônibus, em pé, com uma das mãos segurando o ferro de proteção e a outra equilibrando o livro aberto. O mundo em volta se apagava e o som que ouvia era do vento assoprando um vasto campo florido. Eleanor era uma jovem nascida com tempo para tudo, até mesmo para observar detalhes, as pequenas mudanças, mas não reparou que a literatura francesa estava em desuso e somente ela naquele ônibus lotado sabia porque George Sand usava calça comprida e fumava charutos em público. Um sacolejo no asfalto ruim, a volta à realidade momentânea, o olhar em volta, pessoas vestidas de cinza, como pardais sem plumas, traduzindo a certeza: ninguém por perto conhecia George Sand. Vinte e sete páginas até o ponto final e a história vagando na sua mente.

As duas árvores que ornavam a frente da empresa a receberam num abraço de frondes cinzentos. Na entrada, o quadro de Van Gogh se mostrou apagado, repleto de girassóis mortos. Segurou firme o cartão de ponto, antes amarelo e agora bege feito um pano de chão. Ao passar pelo espelho, imaginou ter se enganado com o vestido, não era daquela cor, embora o corte fosse muito parecido. O rapaz musculoso da copiadora passou por ela esparramando pelo ar um perfume azedo que embaçou de vez as lentes dos seus óculos. Os olhos negros de agora, ontem eram castanhos – pensou – e logo teve pressa, ajeitou o corpo no vestido e arrumou a presilha na cabeça, a velha tendência a fugir de situações embaraçosas. Seria uma má sina – suspirou – ter os cabelos ruivos e os olhos azuis se os cabelos rebeldes viviam brigando com a presilha e os olhos bonitos se escondiam detrás das lentes dos óculos.

O dia passou depressa. No retorno, as luzes da cidade estavam opacas e um vento repentino trazia o cheiro de chuva. De novo o livro numa das mãos, a outra mão segurando o ferro da sustentação, um breve sorriso abraçando a imagem no pensamento: George Sand enxergava o sorriso das flores nos campos encharcados enquanto Chopin tocava piano após a tempestade.

Novamente em casa, se deparou com as paredes tomadas de uma inesperada cor de avelã. Se deteve num olhar sob a paisagem escura, em volta tudo coisa gasta. Demorou mais que o habitual para encaixar a chave na fechadura, assombrada pelas flores do jardim, envoltas numa cor de pólvora. Tateou a parede até encontrar a tomada da luz, mas a escuridão permaneceu em volta até limpar os óculos, a quietude quebrada por pequenos ruídos, a gaveta se fechando levemente na cozinha, a porta da geladeira se abrindo, a fumaça do cigarro desenhando um círculo marrom e, num costumeiro arrepio, sentiu o medo kafkiano de se transformar numa barata. Ao menos as baratas podem voar e desconhecem as cores das flores – pensou em meio a um sorriso tossido.

No fim daquela noite caiu uma chuva fininha, que foi aumentando até se tornar temporal e Eleanor enxergou quase nada, apenas a janela baça segurando os pingos fortes que lhe batiam num tamborilar nervoso.

No clarão do relâmpago, lá fora, a flor com cara de macaco sorria para ela.

Conforme a chuva aumentava e envolvia a janela no seu manto de águas incessantes, desde o pé de magnólia a orquídea ganhava vida, vindo acelerada até a parede do quarto, abraçando completamente o vidro da janela.

Já não tinha a cara de macaco, era rosto de gente, primeiro Rimbaud, depois Carlos, encharcado pelos pingos da chuva, as pétalas balançando de um lado para o outro, pedindo para entrar.

Eleanor enxugou a lágrima fina no canto dos olhos, sorriu timidamente, é apenas o sorriso da orquídea, virou-se para o outro lado antes que a vista embaçasse de vez e desabou num sono alentador.

Sonhou sonhos bons, porque nos sonhos não existem lágrimas, não é preciso usar óculos embaçados, por lá as flores são tantas, não mudam de cor, nada se esfuma, embora somente a orquídea com cara de macaco conseguia sorrir para ela.

No canto do criado-mudo jaziam os óculos das lentes embaçadas, calmos e solenes, aguardando o fim do sonho e o retorno das flores cinzas no dia seguinte. 

Segunda-Feira 28.10.2019 às 08:10

As paredes da redoma

André Alvez

Às vezes, nesses tempos difíceis, ecoam na minha mente algumas palavras casadas – a tortura engolindo a arte, meu pescoço arde, o nó, o aperto. Acorda, a corda, pássaro preto. – Então desce do céu um zumbido de abelha, o barulho da cidade, tudo o mais, e as letras da crônica começam a dançar. Sossego meus passos diante do enorme edifício. Elevador de vidro, vista panorâmica, o meu destino é o vigésimo andar.  O copo de garapa só faz aumentar a minha sede, sede de água, um litro gelado, beber no gargalo, num gole só. Poeta bom é aquele que sofre e eu só sinto medo de cachorro, de dentista, de fardas e bandeiras, do homem fazendo gestos de armas com as mãos no lado direito da calçada, daqueles que não entenderam o sagrado significado da cruz, da violenta ignorância que mata uma criança em nome da paz. O elevador está no sétimo andar e não há ninguém ao meu lado. Sinto conforto, viajar sozinho não sufocará o meu grito. Como se fosse provocação, o elevador desce, a porta se abre e, no mesmo instante, ao meu lado se forma um grupo de nove pessoas.  Poeta bom é aquele que sofre, penso novamente e convoco a companhia de Belchior. Ele me encara, sorri. “medo, medo, medo” ele diz e de mim escapam palavras no pensamento, daquelas casadas, de papel passado – perto de mim há um teclado, mudo por enquanto, no tempo que observo as estrelas e espero a frase rimar. Perto de mim há uma garrafa de vinho, do álcool que não posso beber, reserva da vida que vejo passar. Perto de mim há vontades, sentimentos diversos, que exijo calar. Perto de mim há verdades de ninho e não consigo alcançar, perto de mim há um cálice... Eu venho, eu vinho. – Achei nos meus arquivos, será que escrevi isso? Sofro quando não descubro. O elevador chega, entro e me encaixo no aperto. Quem será que imaginou um elevador feito de vidros?  A senhora tímida, solitária, carrega uma bolsa enorme apertando os seios. Será o mesmo medo que o meu? Dois homens conversam sobre o sono, um não consegue dormir, o outro dorme demais. Olhei para eles num rosto carregado de respostas, domino o assunto, zolpidem é a solução, mas fiquei calado, o rosto ansioso refletido na parede de espelhos. A capa da morte é feita de vidro. Medo, medo, medo, cantamos, Belchior e eu. O casal troca olhares cúmplices, ele me cumprimenta num leve aceno de cabeça, ela usa cabelos coque e olha fixamente o piso do elevador. O brilho do relógio nos pulsos do senhor reflete as paredes da redoma e o abismo é ali também. Quem é que usa relógio de pulso nos tempos atuais? E se a luz apagar? Busco um desvio de pensamento, uma fraqueza boba – pensar forte faz acontecer. Duas pessoas descem no terceiro andar, mas outras duas entram no elevador. Preciso de algum assunto de asas – penso – e como se fosse combinado, um inseto pousa no lado de fora do vidro, se debatendo diante da visão falsa da liberdade. Bicho estúpido, basta virar para o lado e voar para longe, depois apanhar carona no vento até alcançar aquelas estranhas nuvens no céu. Belchior se apóia nos meus ombros, inverte a situação, ele sempre foi o meu apoio. O homem no canto se veste de forma elegante, usa gravata, o cabelo grudado de brilhantina, tem o rosto seguro, não se importa com a possibilidade do vidro arrebentar de repente e estragar o seu penteado.  Belchior resolve assoprar no meu ouvido uma canção: “meu coração cuidado é frágil, meu coração é como vidro”... E sorri enquanto me afasto até o canto. A fragilidade do vidro é como uma folha de livro ao vento.  O inseto já não insiste, quieto, absorto na languidez dos derrotados. Entorto os olhos, dou de frente com outro senhor, vestido de forma simples, calça jeans, camisa de algodão, o sapato de couro marrom, deve ter a minha idade, sinto uma alegria efêmera, como quem se alegra ao ver um companheiro de batalhas – éramos jovens nos anos oitenta – penso num sorriso e ele parece captar, num sorriso de retorno; conto na mente cada ruga do seu olhar e fico imaginando que pinta os cabelos, porque as bolsas inchadas abaixo dos olhos não combinam com o brilho negro dos fios esvoaçantes na cabeça murcha. Duas pessoas descem no quinto andar, a religiosa faz o sinal da cruz, o cabelo da moça da borboleta tatuada no braço deixa um rastro de lavanda. Todos descem quase ao mesmo tempo, restando Belchior e eu nos cinco ou seis andares que faltam.
Poeta bom é aquele que sofre – Na redoma de vidro, o poeta sofrido, o inseto, o dilacerante zumbido, meus medos, Belchior, no sopro bemol, engolindo o sustenido –
De repente, num bafejo do vento, o inseto encontra a liberdade, o vôo torto para longe, o final da angústia. Fecho os olhos, imagino a alegria das asas rumando em busca das nuvens ligeiras em formas de pombas no céu. Vigésimo andar, luz verde, alívio, vida.
Na volta, optarei pelas escadas, sairei à rua apressado, o medo jogado fora e arrancando do peito a dor do poeta que não sou. E que tudo mais vá para o céu, como já disse o poeta Belchior.

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